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Psicóloga Giovanna Lisboa
Adaptação

Solidão morando fora: como fazer amigos em outro país

Por Giovanna Lisboa, psicóloga, CRP 06/219201 · · 3 min de leitura

A solidão morando fora é muito comum, porque a mudança desfaz de uma vez a rede de amigos e família, e fazer novas amizades na vida adulta leva tempo: pesquisas sugerem dezenas de horas de convivência para alguém virar amigo próximo. Ajuda ter encontros repetidos com as mesmas pessoas, tomar a iniciativa e manter, ao mesmo tempo, os laços com o Brasil.

A seguir, você entende por que é tão difícil, como diferenciar estar sozinho de se sentir sozinho e quais passos costumam funcionar para criar vínculos em outro país.

Em resumo

  • Solidão é a distância entre os vínculos que você tem e os que gostaria de ter.
  • Na vida adulta, amizades nascem de convivência repetida, e isso leva tempo.
  • Algumas culturas são mais reservadas que a brasileira, o que exige paciência.
  • Grupos com encontros fixos (esporte, curso, voluntariado) são os mais eficazes.
  • Solidão prolongada afeta o humor e a saúde, e merece cuidado.

Por que a solidão é tão comum em quem mora fora?

No Brasil, a maioria das amizades nasceu sem esforço: a escola, a faculdade, o bairro, o primeiro emprego. Você convivia todo dia com as mesmas pessoas, e a intimidade vinha com o tempo. No exterior, chega-se adulto, com rotina cheia, numa cidade onde as pessoas já têm seus grupos formados.

Há também diferenças culturais. Em vários países da Europa e nos Estados Unidos, as pessoas podem ser simpáticas no trabalho e, ainda assim, não convidar para a casa delas. O brasileiro, acostumado a uma intimidade mais rápida, pode interpretar isso como rejeição, quando muitas vezes é só outro ritmo.

Estar sozinho ou se sentir sozinho?

Estar sozinho é uma situação; sentir-se sozinho é uma experiência. Dá para estar cercado de colegas e se sentir profundamente só, porque falta alguém com quem ser você mesmo, rir das mesmas coisas e contar quando algo dá errado. A solidão é a distância entre os vínculos que você tem e os que gostaria de ter.

Solidão prolongada não é só desconfortável: ela está associada a piora do humor, do sono e da saúde física. Por isso, vale tratá-la como um tema de saúde, não como um fracasso pessoal.

Quanto tempo leva para fazer um amigo?

Um estudo do pesquisador Jeffrey Hall, da Universidade do Kansas, estimou que leva cerca de 50 horas de convivência para um conhecido virar amigo casual, perto de 90 horas para virar amigo e mais de 200 horas para virar amigo próximo. Os números são aproximados, mas mostram algo importante: amizade não depende só de afinidade, e sim de tempo junto, repetido.

Isso explica por que um encontro isolado raramente vira amizade, e por que grupos com encontros fixos funcionam tão bem.

Como fazer amigos em outro país: passos práticos

  1. Escolha atividades com encontros repetidos. Um time de futebol, um coral, uma aula semanal de dança, um grupo de corrida, um curso de língua. Ver as mesmas pessoas toda semana é o que cria intimidade.
  2. Tome a iniciativa duas ou três vezes. Convidar para um café depois da aula, propor um programa. Muitas pessoas querem novos amigos, mas esperam que o outro dê o primeiro passo.
  3. Considere o voluntariado. Ele junta propósito e convivência, e costuma reunir pessoas abertas a conhecer gente nova.
  4. Use a comunidade brasileira, sem se fechar nela. Grupos de brasileiros ajudam muito no começo e em momentos difíceis. O ideal é ter também vínculos locais.
  5. Diga sim mais vezes do que gostaria. No começo, vale ir a eventos mesmo sem muita vontade. Nem todo encontro vai render, e tudo bem.
  6. Aceite amizades diferentes. Um amigo para correr, outro para conversar sobre a vida, outro para os feriados. Nem toda amizade precisa ser como as do Brasil.

E os amigos que ficaram no Brasil?

Manter os laços antigos é importante, mas eles mudam. O fuso, a rotina e as experiências diferentes podem gerar distância, e às vezes a sensação de que ninguém lá entende sua vida aqui. Combinar chamadas regulares, mandar áudios e encontrar pessoalmente nas visitas ajuda. Aceitar que algumas amizades vão diminuir também faz parte do processo.

Quando a solidão pede ajuda profissional?

Vale procurar uma psicóloga quando a solidão vem acompanhada de tristeza quase diária, quando você evita contato social por medo ou vergonha, quando a ansiedade social trava as tentativas de aproximação ou quando o isolamento já dura meses. Na terapia, é possível trabalhar crenças como "ninguém se interessa por mim", treinar habilidades sociais e reduzir a ansiedade nessas situações.

Se a saudade também pesa, leia saudade de casa morando fora.

Importante: a terapia online não é um serviço de emergência. Em crise, ligue para o serviço local: 112 na União Europeia, 911 ou 988 nos EUA, SNS 24 (808 24 24 24) em Portugal, 999 ou 111 no Reino Unido, ou CVV 188 no Brasil.

Perguntas frequentes

Por que é tão difícil fazer amigos morando fora?

Porque, na vida adulta, as amizades dependem de convivência repetida, e quem chega a outro país perde os espaços em que isso acontecia naturalmente. Diferenças culturais no ritmo de intimidade também influenciam.

Quanto tempo leva para fazer um amigo?

Um estudo de Jeffrey Hall, da Universidade do Kansas, estimou cerca de 50 horas de convivência para um amigo casual, 90 horas para um amigo e mais de 200 horas para um amigo próximo.

Onde fazer amigos morando no exterior?

Em atividades com encontros fixos, como esportes coletivos, cursos, corais, voluntariado e grupos de interesse, além de comunidades de brasileiros. O mais importante é a repetição dos encontros.

Solidão morando fora pode virar depressão?

A solidão prolongada aumenta o risco de tristeza persistente e de outros problemas de saúde. Se ela vem com desânimo quase diário por mais de duas semanas, vale buscar uma avaliação psicológica.

Se sentindo sozinho longe de casa?

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Revisado por Giovanna Lisboa, psicóloga, CRP 06/219201, em . Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação psicológica.

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